Grandes são as chances de você já ter presenciado isso: uma mulher começa a expor uma ideia crucial em uma reunião e, poucos segundos depois, é interrompida por um colega homem. Não necessariamente por maldade – mas a interrupção acontece. E se repete. De forma tão sutil e normalizada que quase passa despercebida. Esse comportamento tem nome: Manterrupting.
O Que é Manterrupting?
É quando um homem interrompe uma mulher de forma recorrente, especialmente em ambientes profissionais, tirando dela a oportunidade de concluir seu raciocínio ou de contribuir plenamente para a conversa. Não é apenas uma questão de etiqueta, é uma questão de equidade e respeito.
Por Que Isso Importa (e muito)?
Os números falam por si: segundo a McKinsey (2023), 1 em cada 3 mulheres já teve suas ideias atribuídas a outra pessoa no trabalho. Mulheres que sofrem interrupções frequentes têm:
- Sua autoridade questionada.
- Sua confiança minada.
- Sua visibilidade reduzida – fatores diretamente ligados à progressão na carreira.
O manterrupting não só silencia vozes, mas reforça dinâmicas de poder que marginalizam a liderança feminina e impedem o crescimento de talentos.
“A equidade não é uma pauta só das mulheres. É uma pauta de negócio, de inovação.” – Nara Duarte Pinski – sócia e CSO da AngelUs
Exemplos Comuns (e aparentemente “inofensivos”)
Às vezes, as interrupções são tão sutis que nem percebemos seu peso:
Ela apresenta uma ideia, mas ele “complementa” antes que ela termine, assumindo a autoria.
Ela faz uma sugestão que passa despercebida… até que ele repete a mesma sugestão minutos depois – e recebe aplausos. Numa discussão acalorada, ele eleva a voz e corta a fala dela – e ninguém corrige.
O Impacto real na carreira dela
Mais do que falta de educação, o manterrupting compromete seriamente a trajetória profissional da mulher que passa por isso. Se ela é ouvida ou não nas reuniões define o sua avaliação:
- Percepção de liderança: Mulheres interrompidas frequentemente são vistas como menos influentes ou menos capazes de liderar.
- Autoconfiança: Ser constantemente silenciada pode levar à desistência de se posicionar e à perda de voz.
- Oportunidades de crescimento: Ideias não ouvidas não viram projetos, nem promoções ou reconhecimento merecido.
Por que as empresas devem se importar (e agir)?
- Ambientes que silenciam vozes diversas tomam decisões piores. É simples assim.
- Organizações com diversidade de gênero na liderança têm 25% mais chance de superar seus pares em lucratividade. (McKinsey, 2023)
- Empresas que cultivam uma cultura de escuta ativa retêm mais talentos, estimulam a inovação e constroem um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo para todos.
“Promover equidade não é só criar espaço para mulheres estarem na sala. É garantir que sejam ouvidas quando falam.” – Claudia Colaferro, sócia fundadora da AngelUs
O Que as Empresas Podem (e Devem) Fazer?
É hora de transformar intenção em ação:
- Reconhecer o Manterrupting: Treinar líderes e equipes para identificar ativamente esse comportamento.Compartilhar exemplos reais e abrir espaço para a escuta ativa das experiências femininas.
- Educar sobre como intervir: Incentivar líderes a “interromper a interrupção”: “Espera, quero ouvir o que a [nome da colega] estava dizendo.”
- Estimular aliados a reforçarem as contribuições femininas: “Como a [nome da colega] disse antes…”
- Promover um ambiente genuinamente inclusivo: Avaliar a dinâmica das reuniões: Quem fala mais? Quem é ouvido? Quem é ignorado?
- Criar regras claras de convivência e escuta, como tempo de fala e mediação de interrupções, incentivando a participação de todos.
Como já defendeu Sheryl Sandberg, ex-COO do Facebook: “A fala das mulheres precisa ser valorizada, não apenas tolerada.”
E o Que a AngelUs Pode Fazer por Sua Empresa?
Nosso propósito é impulsionar a equidade: apoiamos empresas que buscam ir além do discurso e construir um ambiente onde todas as vozes importam. Entre outras coisas atuamos com:
- Workshops para Lideranças: Foco em vieses inconscientes e comunicação inclusiva.
- Mentorias Femininas: Para fortalecer a confiança, a voz e o posicionamento estratégico.
- Programas de Cultura Organizacional: Fortalecendo escuta ativa, colaboração e equidade real no dia a dia.
Porque a igualdade de gênero não se faz com discursos. Se faz com práticas, todos os dias.
“A gente não quer mais só um lugar na mesa. A gente quer – e merece – ser ouvida nela.” – Nora Mirazon Machado – sócia e CPO da AngelUs